1. 26_03_ima_noticia_diretoradoima.jpgAtualmente, a cientista trabalha com doenças negligenciadas e uniu seus conhecimentos em polímeros e ressonância magnética, junto aos seus alunos farmacêuticos, para desenvolver medicamentos

A porta da sala não fica fechada nunca, o que dificultou à reportagem da Gênero e Número encontrar a placa que avisava ser naquele pequeno espaço a diretoria do Instituto de Macromoléculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mesmo ocupada em seu local de trabalho, Maria Inês Bruno Tavares, diretora da unidade, percebeu que havia alguém perdido nos corredores e avisou à secretária: “Acho que a repórter chegou”. Estar sempre atenta é uma característica da pesquisadora, como foi possível confirmar após uma longa entrevista, o que contribui para a sua rotina profissional – que envolve pesquisa e gestão – à frente do único instituto da América Latina onde a pesquisa é voltada exclusivamente aos polímeros. Tavares não deixa de lado a paixão pelo ensino e pela pesquisa e diz que congrega com a formação técnica um desejo de criança: ajudar as pessoas.

Ela conta que, ainda na infância, desejou a Medicina, mas seguiu por outro caminho, com convicção. Mestre em Química Orgânica e doutora em Ciência e Tecnologia de Polímeros, dirige desde março de 2019 o Instituto de Macromoléculas, o IMA. São mais de 40 anos dentro da UFRJ, e sua trajetória profissional reverbera pelo Brasil e em outros países.

Especialista em polímeros, Tavares começou sua trajetória já fazendo a diferença na pesquisa: no mestrado, desenvolveu uma parafina clorada a partir dos rejeitos da sal-gema. Essa parafina clorada é utilizada como plastificante para o PVC, um polímero rígido, duro e quebradiço. Tavares explica que o PVC, como conhecemos, é composto e no mínimo 10% dele são aditivos. Por ser um polímero clorado, não pegaria fogo, isoladamente, mas como os aditivos são oxigenados, isso acontece. Por isso, há a necessidade de um segundo aditivo, um anti-chamas. Neste caso, as parafinas cloradas da pesquisadora.

Tavares sempre estudou em escolas públicas, e por isso destaca o apoio fundamental do pai para jamais deixar de estudar. Sob olhar dele,  que nunca interferiu na escolha profissional, desde que houvesse uma, ela passou na universidade pública e construiu sua trajetória no mesmo espaço. Foi na UFRJ que descobriu que tinha vocação para o magistério: “Eu sou muito feliz que consegui estudar, consegui aprender e consegui passar meu conhecimento e é uma satisfação enorme quando consigo ver alunos fazendo coisas melhores ainda do que eu já fiz”.

A perseverança, característica comum a quem não nasceu em berço de ouro, a levou, já no doutorado, a cursar um período na Inglaterra. A ida e a permanência, bem como os conhecimentos adquiridos no período, são creditados à professora Elisabeth Cardoso, vice-diretora do IMA à época. “Ela sempre acreditou em mim e me deu a chance de crescer”, relembra Tavares.

Pelas mãos de Cardoso que o doutorado-sanduíche foi possível e enriqueceu a trajetória profissional de Tavares. Sem deixar de mencionar o apoio irrestrito do marido, que tirou uma licença maior para ficar o máximo de tempo com a esposa e os filhos no país europeu: “Todo mundo cresceu como ser humano, com cultura, e eu ainda trouxe o conhecimento na parte da ressonância magnética”.

A volta do doutorado foi em 1990. De lá para cá, Tavares une os conhecimentos em polímeros, ressonância magnética em polímeros e nanotecnologias para desenvolver seus alunos, formar novos profissionais e avançar o campo onde atua. Uma das contribuições mais memoráveis foi um projeto de desenvolvimento de novos materiais que permitiu a criação de um forno com diferentes temperaturas, para pescadores terem uma opção de renda na época de piracema (período de reprodução dos peixes, que a pesca é proibida) e, assim, preservar a fauna marinha.

Um dos alunos dessa pesquisa, Emerson Oliveira da Silva, nunca mais saiu da sua  órbita profissional. “Fez mestrado, passou para o doutorado direto, passou como professor, se tornou meu chefe e hoje ele é meu vice-diretor. É uma alegria grande ter formado não só ele, mas vários excelentes alunos”, orgulha-se.

Atualmente Tavares também trabalha com doenças negligenciadas e uniu seus conhecimentos em polímeros e ressonância magnética, junto com seus alunos farmacêuticos, para desenvolver comprimidos com liberação controlada do fármaco. “Não vamos trazer a cura, que muitas não têm, mas poderemos dar um conforto para aquela pessoa ter uma vida social melhor. Muitas pessoas não tratam a diabetes porque têm muitas restrições, outras têm depressão, outras ficam mal-humoradas, porque a vida social fica abalada”, analisa, sempre visando o bem-estar de quem será alcançado pelas suas pesquisas e estudos.

Ela é mais que uma professora que orienta, e sabe disso. Inclusive fora dos laboratórios, ensina pelo exemplo. Tavares também doa seu cabelo periodicamente a hospitais de câncer Algumas das alunas do IMA fazem o mesmo.

  1. Maternidade

  2. A pesquisadora, mãe de David, 42, e Lúcia, 34, reconhece que trabalhou demais, muitas horas por dia, na produção de artigos e orientação de alunos. O fato ainda faz os filhos, às vezes, torcerem o nariz, apesar do orgulho que sentem da mãe. Mesmo com eventuais reclamações, Tavares seguiu conciliando.

    David e Lúcia foram, com 12 e 4 anos, para a Inglaterra com a mãe. David voltou com o pai e a menina continuou em uma creche. Lá, aprenderam o idioma. Em nenhum momento, a pesquisadora cogitou deixar os filhos no Brasil: “Tinha que ir a família toda”. O lado maternal de Tavares nunca fui suprimido pela sua carreira. Se hoje Lúcia ainda gosta de estar com a mãe, “graças a Deus”, e reclama da extenuante carga de trabalho, por outro lado ela também aprecia a movimentação quando orientandos do IMA usam a casa da professora para escrever, tirar dúvidas e produzir.

    A pesquisadora acredita que a caminhada ainda é longa: “Não tenho vontade de parar, porque é importante passar o conhecimento. Adquirir mais e passar mais. Eu amo meu trabalho e amo ensinar.  Eu fico feliz porque pude aproveitar, dentro das minhas potencialidades, todas as oportunidades que me foram dadas”.

    Por Lola Ferreira | Confira a matéria na íntegra.

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O Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano (UFRJ), está apoiando o projeto de Impressão 3D para o desenvolvimento das máscaras hospitalares para o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para ajudar no combate ao covid-19.

 

13 02 IMA noticia blumaguentherEm 2020, Bluma Guenther Soares completa 50 anos de UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Foi nesta instituição que ela fez da graduação em Química até o doutorado e é onde hoje é professora no IMA (Instituto de Macromoléculas), onde pesquisa principalmente materiais condutores. Os polímeros misturados com cargas condutoras têm aplicação principal, na pesquisa de Soares, na área de blindagem eletromagnética.

“Na área civil, você tem equipamentos cada vez mais sofisticados usando wireless e isso é uma emissão de ondas eletromagnéticas de um lado pro outro. Isso causa interferência entre equipamentos e também pode causar problemas de saúde. O que estudamos são materiais que você coloca em equipamentos para protegê-los das ondas eletromagnéticas e evitar absorver ondas que dificultariam a transmissão. Na área militar, a aplicação é na área de tecnologia furtiva, para navios e aviões serem protegidos de radar. É tática de defesa”, explica a pesquisadora.

A afinidade com essa linha de pesquisa surgiu durante seu pós-doutorado na Universidade de Liège, na Bélgica. Lá, o orientador afirmou que a única pesquisa disponível era o projeto de compósitos condutores de eletricidade. “Eu reclamei que não era esse o projeto inicial, aprovado pelo CNPq, mas disseram que tudo é material multifásico e esse era o interesse deles naquele momento. Eu tinha duas opções: bater o pé, e eles me deixarem na geladeira, ou aceitar o desafio. Era pura física, e eu era de química orgânica”.

Mas ela conseguiu aprender, publicar artigos sobre o tema e, desde então, não abandonou a linha de pesquisa. Atualmente, ela orienta aproximadamente 30 alunos, e também leciona para estudantes da graduação de Química, sua porta de entrada na UFRJ. A empolgação com que eles participam das aulas, explica, é o principal motivo. Mas “sem generalizar”: também há alunos muito empolgados na pós-graduação.

Hoje os institutos e escolas relacionados ao estudo da Química na UFRJ estão bem definidos, mas Soares conta com orgulho que foi uma das primeiras profissionais a ver o nascimento do IMA e da consolidação da (EQ) Escola de Química. Relembra, entretanto, quando chegou ao Rio, em 1970, viu um cenário triste. O ano anterior, o primeiro pós instauração do Ato Institucional 5, foi de muita repressão na universidade.

“Fiquei desconfiada de fazer amizades, em um primeiro momento. Mas tinha muita gente boa, e Escola de Química sempre teve muita mulher. Foi uma época boa, apesar de todos os percalços”, relembra.

Saída do interior

Bluma Soares é nascida e criada em Barra do Piraí, no interior do estado do Rio de Janeiro, mas decidiu sair da cidade em direção à capital em busca do sonho de estudar Química. A paixão pela área surgiu ainda aos 16 anos, e o primeiro momento em que pode ter mais contato com o estudo científico foi conquistado com muito suor. A mãe exigia que ela fizesse o chamado “curso normal” no ensino médio, que ao final já habilita aqueles que se formam a lecionar nos primeiros anos do ensino fundamental. Ela, no entanto, queria aproveitar aquele período para estudar outros temas. Enfim, chegaram a um acordo: a menina estudaria no curso normal pela manhã e, à noite, num curso científico.

De família de classe média, Soares relembra que nunca teve grandes dificuldades e se reconhece, hoje, uma privilegiada por ter tido oportunidades na trajetória acadêmica e profissional. “Apesar da minha família não ser rica, eu estudei em um bom colégio, sem grandes dificuldades. Acho a pior coisa desse mundo o pessoal que sobe na vida e diz que qualquer um pode. Não, existe a oportunidade. Eu estudei pra caramba, mas tem muita gente que faz o mesmo e não consegue um lugar ao sol, principalmente se você vem de uma família pobre, com vários problemas que se sobrepõem”, analisa.

A mesma crítica ela estende também a outros problemas estruturais. Mesmo com a intensa carreira, criou três filhos, que hoje têm 43, 41 e 40 anos, mas reconhece que teve auxílio de outras profissionais, como empregada doméstica. Pondera que há mães que não dispõem do mesmo recurso, e que isso não deveria ser um impeditivo: “O problema é que no Brasil não tem apoio do governo. A gente tinha da empregada doméstica, mas não deveria. O trabalho doméstico não desqualifica ninguém, mas o que deveria ter era creche para que todas as mães pudessem deixar seus filhos e trabalhar”.

Hoje, com os filhos já criados, Soares conta que sequer tirar férias, e passa maior a parte dos dias auxiliando seus alunos nos laboratórios do IMA. Com pressa para descer mais uma vez as escadas e tirar eventuais dúvidas, ela finaliza afirmando que não tem a menor pretensão de abandonar a pesquisa, os alunos e, claro, a UFRJ.

Por Lola Ferreira | Confira a matéria na íntegra.

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novos alunos 05 03 2020

Os alunos novos devem acessar o site (intranet.ufrj.br) para se cadastrar com o número do DRE listado abaixo.

As inscrições em disciplina dos alunos novos são online via “Portal do aluno/Intranet” e devem ser feitas entre 29 de fevereiro e 08 de março de 2020.

A grade de disciplinas do 1º período de 2020 estará disponível posteriormente no site na página da Pós-Graduação.

Caso os alunos não consigam se matricular, podem ligar ou mandar email para a secretaria (This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.) na semana de 02 a 06 de março de 2020 ou comparecer a mesma na primeira semana de aulas (de 09 a 13/02/20).

Em caos de dúvidas, entre em contato com a Secretaria de Pós-Graduação (e-mail: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it. ou telefone: +55 21 3938-7230)

Confira o número da matrícula (DRE) dos alunos novos:

MESTRADO

  • Alexander Felix Martins (120004287)
  • Ana Paula Torres Magalhães (120004423)
  • Anne Caroline Santos da Silva (120049805)
  • Daianne Leandro Padroni de Souza (120004457)
  • Edivane da Silva Araujo Cardoso (120004554)
  • Heitor Franco de Sá (120049554)
  • Herick de Araujo Carnaval (120004708)
  • Ian dos Santos Costa (120070377)
  • Jessica Aline de Sousa dos Anjos (120004863)
  • Maria Eduarda Riente Vaz (120002057)
  • Sandro Roberto Gomes Argueira (120001491)
  • Silvana Gino Monteiro (120004936)
  • Steffany dos Santos Gomes (120070369)
  • Thaisa Cruz dos Santos (falta Declaração de Conclusão até 28/02/20 – com previsão de colação ou de expedição do diploma)
  • Thales Calmon de Aguiar Neto (120006598)
  • Victor Oliveira Reis da Cruz (120004978)

DOUTORADO

  • Adriane da Silva Sena (falta declaração conclusão até 28/02/20)
  • Ana Karolina Menezes Costa (falta declaração conclusão até 28/02/20)
  • Barbara Salles Macena da Cruz (falta declaração conclusão até 28/02/20)
  • Dejair de Pontes Souza (120004091)
  • Fernanda Fabbri Gondim (falta declaração conclusão até 28/02/20)
  • Geilza Alves Porto (falta declaração conclusão até 28/02/20)
  • João Gabriel Passos Rodrigues (falta declaração conclusão até 28/02/20)
  • Lucas Galhardo Pimenta Tienne (falta declaração conclusão até 28/02/20)
  • Matheus Alves Coelho (falta declaração conclusão até 28/02/20)
  • Natalia Ruben Castro (falta declaração conclusão até 28/02/20)

Atenção: Alunos que ainda estão sem matrícula deverão entregar a documentação faltante para abri-la.

Confira o canal do Youtube do SIGA para orientações aos alunos

 

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